DE QUE FORMA VOCÊ ESTÁ APOIANDO A SUA COMUNIDADE LOCAL?

A pandemia causou diferentes reações e ajustes em nossas vidas, e um dos setores que passa por grande dificuldade é o de empresas sem fins lucrativos. Muitas delas dependem de um combinado entre apoio financeiro do governo e de pessoas que apoiam estes projetos. Porém, com o setor público passando por uma grande reestruturação, a dependência do apoio de indivíduos se torna ainda mais importante.

Eu trabalho em uma empresa sem fins lucrativos no Canadá. Nós observamos que logo após a pandemia, o número de doações feitas por indivíduos aumentaram – e isso se aplica a todo o setor, não só ao projeto em que trabalho. Confesso que fiquei chocada em ver esse movimento. Como as pessoas passaram a gastar mais dinheiro apoiando outras empresas em um momento tão delicado da economia mundial?

Eu odeio ser o tipo de pessoa que sai do país e compara um ao outro como em uma síndrome do vira lata, mas também gosto de passar adiante os aprendizados de vivenciar uma nova cultura. Admiro muito como no Canadá as pessoas têm um senso de comunidade muito grande. O governo aqui é ótimo, mas não é perfeito, e as pessoas sabem disso. Por isso, não esperam por uma força maior para fazer mudanças acontecerem. Grande parte das pessoas que conheço doam mensalmente para empresas sem fins lucrativos porque isso faz parte da cultura deles. 

Isso me fez pensar muito sobre a situação no Brasil. Não está fácil para ninguém, eu sei. Doar não é uma possibilidade para todo mundo, eu sei. Mas nós costumamos pensar que uma doação deve ser exorbitante para fazer a diferença, o que não é verdade! Se todas as pessoas criarem esse importante senso de comunidade, uma doação de R$5,00 adiciona ao montante e se torna R$1.000.

Além disso, o sentimento de pertencimento que um simples ato desse provoca faz muito bem em um momento tão frágil da nossa sociedade. Enquanto vivemos isolados, cada um dentro de sua própria casa, ajudar uma empresa sem fins lucrativos pode trazer um calorzinho pro nosso coração.

Mas como decidir quanto e para onde doar?

Eu aprendi uma lição muito valiosa com a contadora do festival em que trabalho. A Gillian Cofsky tem um perfil sobre contabilidade no Instagram com dicas acessíveis de como gerenciar o seu dinheiro. Se você está querendo praticar o inglês, já segue o perfil dela, @letsmakeitcount.bookkeeping.

Um dos posts dela detalha como podemos organizar nossas doações:

  • Mensalmente: a ideia aqui é oferecer estabilidade para causas e organizações que você acredita, como o feminismo, por exemplo.
  • Doação reacionária: nesse caso, a sua contribuição é feita para causas que mais precisam no momento, por exemplo, suporte às pesquisas relacionadas ao Coronavírus.

Dentro do seu budget mensal (nós já falamos sobre como se organizar financeiramente aqui) você pode separá-los em duas linhas diferentes: uma como gasto fixo e outra como despesas flexíveis.

Infelizmente eu não consigo doar nesse momento. Como posso apoiar minha comunidade local?

Talvez esse não seja o melhor momento para se comprometer a ajudar uma empresa mensalmente, eu entendo. Mas você também pode se voluntariar online em diversas instituições e projetos. Outra forma de ajudar é com a doação de sangue ou de leite materno, que sempre estão em demanda, mas ainda mais durante a pandemia.

Julia Prezotto
Julia Prezotto

Sou uma das apresentadores do podcast Dicionário Feminista! Sou jornalista de formação, mas trabalho com marketing digital desde 2012. Passei por experiências incríveis no Brasil até decidir me mudar para Vancouver, no Canadá, em 2018. Nas horas vagas eu amo ver vídeos de bichinhos fofos, ler histórias de suspense a assistir documentários na Netflix. Você me encontra no Instagram @julia.prezotto.