ARTISTAS PRETAS QUE VOCÊ PRECISA CONHECER AGORA!

Quais são as suas artistas preferidas? Consegue fazer uma lista rápida, independente da área? Desenhistas, escritoras, cantoras, pintoras, fotógrafas, enfim… até que é fácil, né?

Agora… e as artistas negras? Não vale pensar em Rihanna, Iza ou Beyoncé…

Já parou para pensar que o nosso conhecimento em relação a essas mulheres é pequeno? Se pensarmos só nas brasileiras, menor ainda – apesar de representarmos 26% da população brasileira. Se não conhecemos as artistas negras brasileiras não é por falta de representante, mas sim, de visibilidade. Já sabemos que se depender da mídia tradicional nunca teremos acessos a essas artistas, por isso, depende de nós ir atrás e valorizá-las, e o The Squad dá uma forcinha.

Temos na base da nossa sociedade o racismo estrutural como um sistema que assegura os privilégios das pessoas brancas e na nossa sociedade em geral temos como padrão o homem-branco-cisgênero-heterossexual em lugares de prestígio, inclusive no meio artístico.

O The Squad acredita na importância de buscarmos mulheres enquanto referências para seguir e apoiar, sempre e se posiciona de forma antirracista. Sabemos que o machismo alinhado ao racismo, silenciam e apagam muitos nomes, por isso fiz uma lista com artistas negras INCRÍVEIS que precisam de mais reconhecimento em suas realizações e que todos deveriam conhecer.

O trabalho, a arte e a voz das mulheres negras se entrelaçam para ajudar e fortalecer umas às outras, portanto, devem ser enaltecidos sempre e lembrados durante o ano todo e não só no dia 20 de Novembro. Existem diversas formas de fortalecermos a existência e a luta das pessoas pretas, para além de postar uma tela preta e hashtag, e apoiar, divulgar, indicar e consumir o trabalho delas já é um passo.

Sendo assim, vamos lá:

Ryane Leão – (@ondejazzmeucoracao) –  escritora e poeta.

Seus poemas falam sobre identidade, sexualidade e solidão, questões presentes na vida, principalmente, da mulher negra. Ela escreve enquanto mulher negra lésbica, fazendo uso da poesia para se expressar e empoderar as mulheres.

‘’Tudo nela brilha e queima’’ é seu primeiro livro e vendeu mais de 40 mil exemplares. Além disso, é fundadora da escola Odara – English School for Black Girls, focada no ensino de inglês afrocentrado para mulheres negras.

Thata Alves – (@thataalvespoetisa) – escritora.

A artista multimídia transita pela performance, poesia e vídeo. Em seu trabalho podemos encontrar o orgulho pela sua ancestralidade, as vivências de uma mulher negra, as batalhas de ser mãe solo, amor, sensualidade e desejo. No seu livreto ‘’Troca’’ traz além de poesias, olhares para questões cotidianas.

Funmilayio Afrobeat Orquestra – (@funmilayoafrobeat) – banda.

Composta apenas por mulheres negras: Stela Nesrine e Suka Figueiredo (saxofonistas), Larissa Oliveira (trompetista), Sthe Araújo e AfroJu Rodrigues (percussionistas), Ana Goes (saxofonista e vocalista), Tamiris Silveira (tecladista) e Rosa Couto (vocalista), a banda busca inspiração na cultura africana e afro-brasileira, na solidariedade feminina e na luta por igualdade social.

*Afrobeat, é considerado um estilo contestador. Combina diversos tipos de percussão africana com música yorubá, jazz, funk e outros ritmos. Na Nigéria dos anos 1970, foi fundamental contra a ditadura militar que havia sido instaurada, era um veículo contra o racismo, a desigualdade e o colonialismo.

Sabrina Ginga – (@sabrinaginga) – dançarina, passista e cientista social.

Ela proporciona através da dança e seus mais diversos ritmos (samba, funk, afro) autoconhecimento, desprendimento e muita endorfina, presa pela troca cultural e descobertas culturais.

Renata Martins – (@recine12) – cineasta e roteirista.

A profissional criou a série Empoderadas (exibida em um canal no Youtube), feita POR e PARA mulheres negras. Entre diversos trabalhos no campo audiovisual, foi uma das roteiristas colaboradoras de Malhação – Viva a Diferença. Luta pela inserção de mais mulheres negras nesse ramo e é um dos grandes nomes do audiovisual no país na atualidade.

Aretha Sadick – (@arethasadick) – performer

Aretha é multi artista e usa as artes visuais e música eletrônica como plataforma para falar de suas experiências e questionamentos como corpo negro na sociedade. Seu trabalho começou com performance como drag queen, e hoje transita pela moda, música e artes.

Ziza – (@soberanaziza) – grafiteira.

Com traços únicos ocupa alguns muros de São Paulo até painéis em Washington. Atribui à sua arte influências afro e em seu trabalho traz um manifesto. É uma voz ativa no universo do grafite e da representatividade negra e feminina na arte de rua.

Indy Naise – (@indynaise) – cantora e compositora.

De forma precisa e necessária ela dá o tom sobre temas como o genocídio da juventude negra, racismo estrutural, feminismo negro e sexualidade em suas canções. Em seu primeiro álbum ‘’É questão de cor’’, traz batuques, hip-hop, eletrônico e ancestralidade em 8 faixas que constroem uma possibilidade de imaginários.

Domitila de Paulo – (@domitiladepaulo) – artista visual

É colagista e artista visual em multi-linguagens. Seu processo inicia na investigação de imagens raras em velhas publicações. Através do acervo garimpado, mixa os elementos. A artista é responsável pela capa do disco ‘’Goela Abaixo’’ de Liniker e os Caramelows e de ‘’Outra Esfera’’, o segundo disco de Tássia Reis.

Poderia ficar aqui por horas falando sobre milhares de artistas negras potentes que temos espalhadas por esse Brasil, mas destaquei alguns nomes dos que admiro e acompanho. A ideia dessa pequena lista é te inspirar e te fazer buscar não só por estes citados, mas por outros trabalhos de mulheres negras.

Acredito que muitas de vocês, assim como eu, utilizam a arte e a cultura como forma de se manter sã em meio a sociedade caótica em que vivemos. A arte tem um papel de aproximação de forças e é facilitadora nesse momento político e de pandemia global. O papel da arte é fazer qualquer ser humano refletir sobre algo. Não sei se somos capazes de salvar o mundo, mas a gente melhora alguma coisa. E uma coisinha já faz diferença…

Divulgue, fortaleça e apoie o trampo das mina preta!

Talitha Dejesus
Talitha Dejesus

Graduanda em Produção Cultural. Formada em Modelagem do Vestuário, Produção e Marketing de Moda. Repórter do Portal Emerge Mag e Assessora de Comunicação na Mocidade Unida da Mooca. Atua como voluntária no Museu Afro Brasil e na Pinacoteca de São Paulo. Sagitariana raiz com ascendente em Áries. Viciada em café e cerveja. Não abre mão de sua ancestralidade. É inquieta e quer sempre saber e fazer mais. Tem a Arte, a Cultura e o Samba como filosofia de vida e acredita que as mulheres pretas e as periferias são potências para a transformação da sociedade!