COMO ACESSAR A SUA INTUIÇÃO?

Desde que eu recebi o meu mapa astral no ano passado, a palavra intuição se iluminou dentro de mim. Isso porque o desenho do céu no dia do meu nascimento aponta uma grande força intuitiva como um guia para minhas escolhas e decisões. Então decidi levá-la para minhas sessões de terapia e buscar mais conhecimento sobre como usar toda essa potência a meu favor. E hoje compartilho com vocês parte desse processo e como ele tem refletido diretamente na minha jornada como empreendedora.

Antes de começarmos esta conversa é importante entender o que é intuição e como a nossa estrutura social a recebe na prática. Na definição de Carl Jung, psiquiatra e psicoterapeuta suíço, intuição é a relação direta e imediata com alguma coisa, pela qual se chega à sua compreensão sem mediações conceituais. Ou seja, é tudo que percebemos, sentimos ou pressentimos, independente de um raciocínio e análise. E por estar fora do campo da cognição ela é uma grande causadora de polêmicas e de opiniões divergentes, já que vivemos em uma sociedade que acredita que o que não vemos e não conhecemos tende a não existir.

Agora vamos simplificar o que foi dito acima para o nosso dia a dia. Eu vejo a intuição como aquela voz interior que todas nós temos e que muitas vezes não tomamos consciência da sua natureza, mas que é carregada de certezas. O famoso feeling, sabe? E acredito que ela se potencializa muito nestes momentos de incerteza, onde somos quase que obrigadas a “escanear” a nossa vida em busca de entender o nosso propósito no mundo. Não por acaso tenho visto muitas pessoas falando sobre isso, como se estivéssemos abafando nossas vozes até então e tornando o agora o momento certo para ouvi-las.

A verdade é que perdemos muito quando buscamos nos ouvir somente quando o caos chega. Vivemos cercadas de padrões, regras e códigos que nos mantém ali no mundo real, com os dois pés no chão. Isso não é ruim, mas nos leva para o lugar da comodidade e do conformismo com mais frequência do que gostaríamos. E a grande virada de chave está exatamente aqui, em entender que somos capazes de materializar tudo o que percebemos intuitivamente e de inúmeras formas.

A intuição nasce no nosso inconsciente e diz muito sobre o que é irreal, do que não é tangível no primeiro momento. E ao encontrar o mínimo de racionalidade, ela passa a habitar o campo das ideias, logo o nosso campo criativo. No livro Mulheres Que Correm Com Os Lobos – recomendo fortemente a leitura –  existe um capítulo dedicado à intuição feminina, com tarefas de como acessá-la. É o que a autora chama de “a mulher que sabe”, o nosso eu sensitivo. O objetivo é nos mostrar como é necessário alimentarmos esse canal interno para que ele seja um verdadeiro guia em nossas vidas:

“Nesse sentido, ele é como os músculos do corpo. Se um músculo não é usado ele acaba definhando. A intuição é exatamente igual: sem alimento, sem atividade, ela se atrofia.”

(Capítulo 3, Mulheres Que Correm Com Os Lobos)

O nosso recorte fica na esfera do trabalho, onde muitas vezes a parte cognitiva é quem domina. Neste caso, o ponto positivo de empreender é que temos que lidar diariamente com desafios e muitas vezes a tomada de decisão parte deste pensamento intuitivo. De alguma forma o acessamos com maior facilidade, mas precisamos entender que ele é muito maior que isso e que pode e deve ser acessado também em momentos de criação e inovação. Gostaria de compartilhar com vocês o depoimento de uma amiga, pesquisadora de tendências e que falou muito bem sobre isso juntando os dois campos:

“A intuição faz parte do processo criativo e estratégico. É ela que faz ligações quase instintivas sobre pontos aparentemente desconectados ou fatores que acabam significando mais aos olhos de quem os sabe ler. A intuição assim como qualquer insight tem que se balizar em dados e evidências reais para servir de caminho estratégico para algum negócio, marca ou inovação que se crie. Não devemos ser puramente instintivos, mas também não podemos nos limitar a pesquisas. Cabe ao profissional juntar os dois e entregar um conhecimento realmente inspirador mediante essa fusão.”

(Illa Branco)

No final das contas, seja no trabalho ou na nossa vida pessoal, precisamos reconhecer a intuição como algo grandioso e potente. Ela serve como um ponto de partida para vivermos conforme acreditamos e para respeitar quem realmente somos. E trago mais uma fala essencial para nossa conversa:

“A intuição é legítima, com pouca ou nenhuma influência externa. É a expressão mais genuína de quem eu sou. Quando a intuição fala, somos nós falando. Quem presta atenção à própria intuição, costuma dizer que suas ações são sempre as mais acertadas.”

(Lívia Pires Guimarães, psicóloga)

Que sejamos então capazes de acessá-la com carinho, cuidado e amor. O caminho do autoconhecimento vai nos levar além e seguimos juntas por ele. E termino o texto com mais uma fala da Lívia Pires Guimarães,  para que haja sentido, é preciso sentir.

Carol Rocha
Carol Rocha

Observo o mundo, vivo o simples e me encanto com tudo. Curiosa por natureza e mineira de nascença. Empreendedora, social media e pesquisadora de tendências por escolha. Uma mulher em constante evolução.