SEXUALIDADE E AUTOESTIMA

Olá girls! Como vocês estão? Estou muito animada para falar sobre sobre um assunto que eu AMO: SEXO!

Mas assim, não é falar apenas sobre sexo e tudo que engloba esse tema. Precisamos desconstruir o que é a ideia do sexo construída socialmente, com mulheres sendo constantemente reprimidas, a própria indústria pornográfica e o tema sexo mesmo, enquanto tabu.

Nós estamos em uma era de maior liberdade sexual, e isso pode ser confundido também com exposição corporal, consequentemente cobranças sobre um corpo ideal, ou exibicionismo em prol de alimentar o ego. Não que isso seja errado, mas o ponto é: sexo está diretamente ligado à autoestima e por isso precisa ser tratado com cuidado e com respeito ao próprio corpo.

Porque Rachel? Você já assistiu pornô, certo? Pode te excitar ou pode causar repulsa, mas não podemos negar que é uma indústria que explora mulheres e homens de maneiras diferentes. Quantas relações vocês já tiveram que, de alguma forma seu (ou sua) parceiro (a) quis reproduzir algo que viu em um pornô e te machucou ou não te proporcionou prazer? Ou você assistiu algum vídeo pensando: Mas que p#rra é essa? E quando é um vídeo vazado sem consentimento, só para mostrar de forma humilhante uma mulher exercendo a sua liberdade sexual? Pornô é muito mais sobre dominação do que sobre o prazer que o sexo pode proporcionar. E em nossa sociedade, essa dominação é violação dos direitos, e falando especialmente de mulheres, causa abuso, estupros e muitas vezes até morte.

E porque estou falando sobre isso? Porque sexo é uma delícia, e deve ser prazeroso para todas nós. Estima-se que cerca de 40% das mulheres do Brasil NUNCA se masturbaram antes. Se mulheres que já têm uma vida sexual ativa podem nunca ter gozado, as que nunca se tocaram podem nem saber como é uma vagina. Ou onde fica o clitóris. O ponto G? Só no imaginário… Eu mesma nunca alcancei o tal “ponto G”, mas seguimos tentando.

“Todas nós merecemos gozar e nos amar! E não só isso, merecemos nos conhecer, saber quem somos e onde queremos chegar. Merecemos conhecer os nossos gostos e onde podemos ser tocadas”

A quantidade de adolescentes e mulheres que engravidam ou pegam IST’s por falta de educação sexual também é altíssima. Quando se comenta sobre isso, causa choque ou desmoralização – o almejado “respeito”, onde precisamos nos reprimir para que os outros nos “respeitem”, como um castigo de se abster de algo natural. Piada, não é? Geralmente os comentários vêm de quem secretamente são hipersexuais, e mostram para o mundo o contrário. Atitudes que nunca condizem com as palavras. Não deixe isso te afetar.

E como podemos combater isso? Com liberdade. Com Coragem. Fale sobre sexo, busque referências e informações: tem um podcast no Spotify que é maravilhoso: sexoterapia, com Ana Canosa e Marina Bessa. Recomendo! Conheça seu corpo (faça um tour: quais são minhas zonas erógenas?), se masturbe, goze, fale com as amigas, tire umas fotos e guarde só para você, ou não. Depende de quanto você está confortável com sua exposição em relação ao outro. Sabe o que eu faço? Tenho amigas incríveis, que são minha rede de apoio, então montamos um grupo no Whatsapp mesmo onde compartilhamos nossas fotos sensuais. Para feedbacks e elogios – “deusa maravilhosa” são as palavras mais citadas. Faça sua própria rede de apoio!

Descubra o que te dá prazer, compre brinquedos. Acredite, tem uns coelhinhos são uma delícia! Se você está com a grana curta, dica: reutilize uma embalagem de desodorante roll-on, retire a bolinha, higienize a embalagem e pode utilizá-la para masturbação e simulação de sexo oral (se precisar de um facilitador, use lubrificante). Sabe aqueles tapa-olhos para dormir? Experimente se masturbar com os olhos vendados. Procure uma playlist sensual. Deixe os outros sentidos agirem enquanto você redescobre seu corpo. Busque alternativas para ter prazer, que não explorem outra mulher ou outra pessoa. Áudio ou conto erótico são ótimas alternativas. Estimulam sua criatividade e imaginação. Imagina ouvir usando vendas? Recentemente, foi lançada a primeira plataforma de áudios eróticos do Brasil, o Tela Preta (IG @telapreta.app), onde o locutor principal, senhora deusa do céu, ele maltrata, viu?! E a locutora feminina então? Eles vivem fazendo, digo, falando coisas que estão nos meus desejos, mas nem sempre na minha realidade – olha a pandemia atrapalhando nossos planos -, mas ok, eu espero  e, por favor, espere também, tá? Tem contos para todos os gostos, desde fantasias populares no imaginário, homossexuais, e até as mais “ousadas”. O custo é muito ok perto dos benefícios confirmados, inclusive por profissionais de saúde e de sexualidade.

Todas nós merecemos gozar e nos amar! E não só isso, merecemos nos conhecer, saber quem somos e onde queremos chegar. Merecemos conhecer os nossos gostos e onde podemos ser tocadas. E você pode começar hoje, que tal?

E se quiser conversar, estarei aqui.

Rachel Salles
Rachel Salles

Publicitária, desbravadora, inquieta e viciada em cores e em glitter. Acredita na pluralidade das pessoas, na autoaceitação e que sim: você pode ser quem quiser.